Paper. Pixel. Play.

by Catherine Métayer*

Julien Vallée‘s work is as all about experimentation and playfulness, and it completely captured our hearts.

Zippers, paint cans, projectors, plexiglas and paper sculptures are among the things he toys with. His stories take the form of spatial compositions, beautifully crafted with handmade and digital 3-dimensional objects. Movement, still, fast paced or stop-motioned, is always at the core of his creations, and resonates with us, instantly.

The young artist graduated in graphic design in Montreal a few years ago, founded the Vallée Studio, and rapidly built an extravagant body of work, with projects rooted around the world (MTV, Gestalten, New York Times, We Love Fantasy, Offf, Computer Arts, etc.). He was granted the ADC Young Guns 6 Award and the Creative Review Award in 2010.

Vallée will be giving a talk at the Pixel Show in Sao Paulo on November 10.


DIRECTOR : Julien Vallée | CONCEPT : Julien Vallée, Jean-Constant Guigue, Eve Duhamel | D.O.P : Simon Duhamel | SOUND : Uncanny Valley | COLORATION : Guillaume Marin | PRODUCTION : Jvallée Inc

Hi Julien. Thank you for letting us present your work in Sometimes-Always.
There is so much playfulness and freedom in all of your creations. I think for example of the beautiful things you made exploding coloured eggs or popping balloons. You mind seems to work a lot like a child, with a tinge of Dadaism! Is it a natural bending of yours, or a conscious effort to stay anew and make a statement?
I think it’s a little bit of both. I tend to naturally express myself the way a kid would do: I like the risk of playing with things I don’t have total control of, I like to touch things and learn from a mistaken way of manipulation, and I am eager to try new things when a commission comes in. The part where I consciously need to make an effort is when it comes to a project where the client is asking to create a piece that is similar to another one I already did. It’s easy to fall in the fast track and just execute the project with total control. What I realized is I never found these projects to reward my artistic satisfaction’s of creating. It becomes a more mechanical way of working, and it’s missing the try and fail factor that usually lead to a more interesting result.

Also, while so many are busy battling the distinctions between print and digital, you seem to naturally resolve the tension between the two mediums. How do you think of print and digital when you are toying with ideas? How do you convey meaning through your choice of materials?
I always found the battle between handmade and digital to be purely aesthetic. My work seems to be mostly revolving around tangible imagery but they are always strongly supported by digital process. When I look at my work I can see these two mediums to play an evaluative role in my projects. A few years ago I was working mostly with paper, creating handmade 3D sculptures, cutting everything by hand and doing it instinctively. I was then using softwares to polish the final shot. Recently I am digitalizing my sketch and use computer controlled machines to cut out more precise pieces I don’t need to polish later with computer softwares. I think I never really do it consciously. It’s always related to the project, where it’s evolving – if it’s an installation in a gallery or if it ends up in a digitally printed magazine – I use the appropriate mediums and methods to make it work.

Tell us more about your talk at the Pixel Show. How do you relate to the festival and what will you voice there, as a graphic designer?
I will mostly talk about 3 important factors in my process. The first is about storytelling. I always find it important whether it’s for a video or a print, that people look at the piece and can read a complete or a part of a story. The second important process step is about experimentation. I always found it important to try new things and not do the same thing over and over. At the end it’s mostly because it makes my days more exiting, but it’s also because the fact that I don’t control every part of the process makes the distinction between a fully controlled image and a piece the audience can connect to. Mainly because the imperfections makes it more human. The last factor is about keeping my days and work playful. We spend so much time thinking and producing each project that it needs to give you a personal satisfaction at the end of the day. I get mine when I’m in a state of play. The idea is not to take things too seriously. I think the title of my lecture represents well these 3 important factors : The word for work is Play.

*Catherine is Montreal/Booklyn-based, temporarily relocated to London and now collaborating with Sometimes-Always


Rock, Paper, Scissors: The Work of Julien Vallée | Published by Gestalten, October 2011


Spray Can


Tangible – High Touch Visuals


MTV-One


Things I have learned


Many Stuff


Print Magazine

por Catherine Métayer*

O trabalho de Julien Vallé é pura experimentação e brincadeira, e captura nossos corações por completo.

Zíperes, latas de tinta, projetores e esculturas de papel são alguns exemplos de coisas que ele costuma brincar. Suas histórias tomam formas de composições espaciais, perfeitamente trabalhadas a mão e digitalmente, originando incríveis objetos de três dimensões. Movimento, pausa, um ritmo rápido ou um stop motion, é sempre o cerne das suas criações, e ressoa nos espectador instantaneamente.

O jovem artista graduado em design gráfico em Montreal há alguns anos atrás, fundou o Vallée Studio, e rapidamente desenvolveu uma impressionante gama de trabalhos, com projetos em todo o mundo (MTV, Gestalten, New York Times, We Love Fantasy, Offf, Computer Arts, etc.). Também recebeu premiações como a ADC Young Guns 6 Award e a Creative Review Award em 2010.

Vallée vai estar no Brasil nos próximos dias pra participar do Pixel Shol, em São Paulo, no dia 10 de novembro.

Oi Julien. Obrigado por deixar o Sometimes-Always apresesentar seu trabalho.
Existe tanta brincadeira e liberdade em todas as suas criações. Por exemplo, todas aquelas coisas lindas que você faz explodindo ovos coloridos ou balões. Sua mente parece trabalhar bem parecido como a de uma criança, com uma pitada de Dadaísmo! Isso é uma coisa natural ou um esforço consciente pra se manter novo e, assim, realizar um trabalho?

Eu acho que é um pouco dos dois. Eu costumo me expressar naturalmente, da mesma maneira que uma criança faria: eu gosto do risco de brincar com coisas que eu não tenho controle total, eu gosto de tocar coisas e aprender com um erro de manipulação, e estou sempre ansioso pra tentar novas experiências quando um trabalho aparece. A parte que eu tenho que conscientemente fazer um esforço é quando um cliente pede pra eu criar uma peça similar a alguma outra que eu já fiz. É fácil cair na armadilha do porto seguro e executar todas as tarefas com controle total. O que eu percebi foi que esses projetos nunca me realizam artisticamente. Vira uma coisa mais mecânica, e falta aquele fator de tentativa e erro que costuma gerar resultados mais interessantes.

Estava pensando… Enquanto quase todo mundo está super ocupado tentando resolver os problemas da distinção entre impresso e digital, você parece resolver naturalmente a tensão entre essas duas mídias. Como você lida com o impresso e o digital quando você está brincando com ideias novas? Como você transmite significados através da sua escolha de materiais?
Eu sempre achei que essa batalha entre objetos feitos a mão ou digitalmente é mera questão estética. Meu trabalho parece principalmente girar em torno de imagens tangíveis, mas há sempre um forte apoio do processo digital. Quando olho pro meu trabalho, consigo ver essas duas mídias atuando de forma efetiva nos meus projetos. Há alguns anos atrás, eu estava trabalhando principalmente com papel, criando esculturas 3D feitas a mão, cortano tudo com as mãos e fazendo tudo instintivamente. Eu só usava softwares digitais pra dar um polimento final na foto. Recentemente eu passei a digitalizar todos os meus estudos e a usar máquinas pra cortar peças mais precisas, assim, não preciso que polir as imagens no computador. Eu acho que eu nunca faço nada conscientemente. Está sempre relacionado com o projeto, o que ele envolve – se é uma instalação em uma galeria ou se é uma revista com impressão digital – eu uso os meios e os métodos mais apropriados pra fazer o trabalho.

Conta pra gente sobre sua palestra no Pixel Show. O que você espera do festival e o que você pretende dizer como um designer gráfico?
Eu vou falar principalmente de três importantes fatores no meu processo de criação. O primeiro é sobre contar histórias. Eu sempre achei importante, seja lá um video ou um impresso, que as pessoas olhem pro trabalho e realmente compreendam a história completa ou parte dela. O segundo processo importante é sobre experimentação. Eu sempre achei essencial tentar novas coisas e não fazer o mesmo sempre. Na verdade, faço isso porque deixa meus dias mais interessantes, mas também pelo fato de eu não ter o controle total do processo, e isso faz a distinção entre uma imagem totalmente manipulada de outra em que a audiência pode realmente se conectar. Basicamente, porque a imperfeição deixa mais humano. O último fatos é sobre deixar meus dias e meu trabalho divertidos. A gente gasta tanto tempo pensando e produzindo cada projeto que ele precisa te dar um pouco de satisfação pessoal no fim do dia. Eu tenho a minha satisfação quando estou num estado de brincadeira. A ideia é não levar as coisas tão a sério. Eu acho que o título da minha palestra representa bem esses três importantes fatores: A palavra pro meu trabalho é Brincar.

*Catherine é baseada em Montreal/Booklyn, temporariamente relocada em Londres e agora, nova colaboradora do Sometimes-Always