Ensaio: The Death of Youth

text by Christopher Rey Pérez, pictures by Stephanie Bonham

THE DEATH OF YOUTH

This essay is titled “The Death of Youth,” and I don’t know if it is about the fading of luster or a vaguer fear. A few days ago a topless girl in sunglasses stared at me. From my feed, on Facebook. And I clicked the thumbnail and entered “The Death of Youth.”

With over 50 from which to choose, I chose Lisa because she was one of the first and looked like a friend of mine who I’m curious to see naked. Forty photos of Lisa followed in what was a somewhat predictable shoot. In various states of undress, the photos moved from outside to inside, from the woods to the bed, from daisy dukes to black thong to shaved pussy, preserving, I suppose, Woman’s naked parallel to nature.

I liked Polina, too, because the name Polina is a thousand times better than Paulina, and because she wore one of those American Apparel-like hosiery I love to hate. It was like looking at art. Or art-porn. From the lighting, and the backgrounds, and the fact that almost every girl wore Ray-bans and had parts of their heads shaved and breasts that were not bigger than B cups.

It all seemed fine to me, looking at beautiful women, it seemed both beautiful and culturally trying, and it wasn’t until I read the website’s “About” section that problems started forming like mold over long legs and hip hair. My problem is that the artist thinks that a man over thirty loses the possibility of fulfilling youthful fantasies, particularly those of having or appearing to have multiple, casual encounters with young women. A man who can inundate himself with ingénues must “be born taller, better-looking, handsome, charming, famous and wealthier” than he.

His project, “The Death of Youth,” is about playing out a youthful fantasy, portraying a “James Bond, Hugh Hefner, Terry Richardson, and Helmut Newton,” all of whom he idolized in youth. But thinly veiling the fulfillment of a fantasy with the cover of investigating that fantasy in the name of art seems conceptually weak to me. And why Hugh Hefner? Because of the velvet loafers? Richardson because indie is the new black? What was just conceptually weak also becomes uninteresting and a waste of a perfectly good domain name. And his age, 30, which for the artist means some turning point to phase II, must mean even Humbert Humbert knew what makes a Humbert Humbert. I get the feeling that quickly after amassing a collection where he played the player, he realized he needed the backing of a sophomoric artist statement.

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I’m 24, and I think I’m still young. But Greek pederasty would probably consider me past my prime. When my cheeks were rosier and my skin softer, when I was 13, I remember entering the boy’s bathroom of my junior high school. It was where I used to stand, blank-faced, for five minutes at a time, to get away from the classroom’s monotony. I remember entering that bathroom one day and finding Junior crouched in a corner.

“I think I’m Superman” he said, theatrically shutting the comic he was reading. Already a shy kid, I quietly moved myself to my own corner to contemplate middle school qualms. I don’t remember much more, like what were the deflections I made to escape. Because of its emotional intensity, this early stage of youth, and I think there are stages, increases its mystery in relation to the passing of time. I vaguely remember peeking through a classroom window and seeing Junior supine on a table, talking about flying and his mother’s cancer with Mr. Barrera. He played Mercutio and Paganini and delivered believable asides.

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Right now, I’m in Mexico City and here both the güeras and mestizas are beautiful. My girlfriend’s in Baltimore. We keep in touch because of the Internet. Maintaining a high and passionate level of desire for her has been easy. Ignoring my hormones a photo from “The Death of Youth” titillates, whether or not the artist paradoxically intends for it to be providing of my “own youthful fantasies” and not arousing—not so much.

Of course, my desires and fantasies don’t stop with a woman or sex or companionship. I have a Master’s degree I want to finish, and I want to assure myself that when I move to Austin for a seasonal job I’m starting in March, my friends will not have changed. Everything will be the same. Or they will have changed, and so will have I, so that life seems like it should be: perfect. I, like Junior, would also like to fly.

Years later, when I was dating his best friend, Kathee, we finally became friends. I fell for Junior’s naiveté that, at the age of 25, has now become earnestness. He still collects comics and the latest metaphor he’s developing involves the idea of the chase as the only end in itself. It’s common that we argue over his platitudes, and it’s not because I want to prove him wrong, but that it is through our discussions that we find what we mean to say. When we turn 30, I don’t think any of this is going to change. I’ll still want a beautiful woman, though I’m sure her age will be proportionate to my maturity, interests, and intelligence. James Bond, Terry Richardson, and all their idolaters will remain human. Superman will be just that. An Übermensch. Because youth is about unabashedly trying for what you want. I think it might be about wanting.

texto por Christopher Rey Pérez, fotos por Stephanie Bonham

A MORTE DA JUVENTUDE

Esse ensaio é entitulado “A Morte da Juventude”, e eu não sei se é sobre o enfraquecimento do brilho ou um medo impreciso. Poucos dias atrás um garota de topless e óculos escuros me encarou. Do meu Feed, no Facebook. E eu cliquei no link e entrei no “The Death of Youth”.

Com mais de 50 opções pra escolher, eu escolhi Lisa porque ela era uma das primeiras da lista e porque ela parecia com uma amiga minha que estou curioso pra ver pelada. Quarenta fotos seguidas de Lisa no que me parecia ser um ensaio previsível. Em vários estágios de nudez, as fotos se alternavam entre interior e exterior, da floresta pra cama, do shortinho jeans pro fio dental preto pra buceta raspada, preservando, eu suponho, o nu feminino em paralelo com a natureza.

Eu também gostei da Polina, porque o nome é mil vezes melhor do que Paulina, e porque ela usava uma daquelas lingeries tipo as da American Apparel que eu amo odiar. Era como olhar pra arte. Ou pornô-arte. Desde a iluminação, e o fundo, e o fato de quase toda garota usava Ray-ban e tinha parte de suas cabeças raspadas e seios que não eram maiores do que o necessário.

Tudo parecia bom pra mim, ficar vendo mulheres bonitas, parecia ao mesmo tempo bonito e de certo modo cultural, e não foi antes de eu ler o “about” do site que os problemas começaram a se formar como mofo sobre pernas logas e cabelos compridos. Meu problema é que o artista pensa que um homem com mais de trinta anos de idade perde a possibilidade de realizar fantasias da juventude, particularmente aquelas em que se tem ou se parece ter vários encontros casuais com mulheres mais novas. Um homem que pode se inundar com tanta ingenuidade deveria “nascer mais alto, mais bonito, lindo, charmoso, famoso e mais rico” do que ele.

Seu projeto, “The Death of Youth” é sobre brincar de uma fantasia juvenil, encenando “James Bond, Hugh Hefner, Terry Richardson, e Helmut Newton”, todos aqueles que ele idolatrava na adolescência. Mas mal velar a realização de uma fantasia com a desculpa de investiga-la em nome da arte me parece conceitualmente fraco. E por que Hugh Hefner? Por causa dos sapatos de veludo? Richardson porque indie is the new black? O que era apenas conceitualmente fraco, se tornou também desinteressante e uma perda de um ótimo domínio. E sua idade, 30, que pro artista significa uma entrada em uma nova fase, a fase dois, deve ao menos significar que Humbert Humbert sabia o que fazia um Humbert Humbert. Eu tenho a sensação de que logo após ele acumular uma coleção onde ele era o ator, ele percebeu que precisava do apoio de um vaidosa declaração artística.

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Eu tenho 24, e eu acho que ainda sou jovem. Mas a pederastia grega provavelmente me consideraria um pouco fora do auge. Quando minhas bochechas eram rosadas e minha pele mais macia, quando eu tinha 13, me lembro de entrar no banheiro masculino do colegial. Era onde eu costumava ficar, com a cara fechada, por cinco minutos em cada horário, pra fugir daquela monotonia chata da sala de aula. Me lembro de entrar naquele banehiro um dia e encontrar o Junior agachado num canto.

“Eu acho que sou o Super-Homem” ele disse, dramaticamente fechando as páginas dos quadrinhos que ele estava lendo. Já um garoto tímido, fui pro meu próprio canto pra contemplar os escrúpulos do ensino médio. Não me lembro de muito mais, como os desvios de olhar que fiz pra poder escapar daquela situação. Por causa da sua intensidade emocional, essa primeira fase da juventude, e eu acredito existirem fases, aumenta seu mistério com o passar do tempo. Me lembro vagamente de espiar pela janela da sala de aula e ver Junior sentado em uma mesa falando sobre voar e sobre o câncer da sua mãe com o Sr. Barrera. Ele interpretou Mercúcio e Paganini e disse possíveis verdades.

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Agora, eu estou na Cidade do México, e aqui tanto as güeras quanto as mestiças são lindas. Minha namorada está em Baltimore. Permanecemos em contato por causa da internet. Manter um alto e apaixonado nível de desejo por ela tem sido fácil. Ignorar as provocações de uma foto do “The Death of Youth”, sejam elas ou não a intensão paradoxical do artista de me proporcionar minhas “próprias fantasias juvenis” e não as despertando – nem tanto.

É claro, meus desejos e minhas fantasias não acabam com uma mulher ou com sexo ou com companhia. Eu tenho um mestrado que quero terminar, e quero me assegurar de que quando me mudar pra Austin pra um trabalho sazonal que estou começando em março, meus amigos não tenham mudado. Tudo vai estar igual. Ou eles vão ter mudado, e então eu também, e assim a vida vai parecer como deveria: perfeita. Eu, assim como Junior, também gostaria de voar.

Anos mais tarde, quando eu estava ficando com a sua melhor amiga, Kathee, finalmente ficamos amigos. Me apaixonei pela ingenuidade do Junior que, agora com 25 anos, se tornou seriedade. Ele ainda coleciona quadrinhos e a última metáfora que ele está criando envolve a ideia da perseguição como único fim em si mesma. É comum discutirmos sobre seus chavões, e não é porque quero provar que ele está errado, mas é através das nossas discussões que descobrimos o que queremos dizer. Quando fizermos 30, não acho que nada disso vai mudar. Eu ainda vou querer uma mulher bonita, embora tenho certeza de que sua idade será proporcional a minha maturidade, interesses e inteligência. James Bond, Terry Richardson, e todos aqueles idolatrados permanecerão humanos. Super-homem vai ser só aquilo. Um Übermensch. Porque a juventude é sobre lutar incondicionalmente por aquilo que você quer. Acho que ela pode ser algo sobre querer.